Estará o setor da banca preparado para o Euro Digital?

Nuno Sousa, Head of Business Development Financial Services - Claranet Portugal

Nuno Sousa
Head of Business Development Financial Services
Claranet Portugal

Nuno Sousa, Head of Business Development Financial Services da Claranet Portugal, olha para o Euro Digital como uma das respostas do mercado regulado ao crescimento das criptomoedas e avalia o status tecnológico da banca para o receber.

“O caminho até ao Euro Digital poderá ser longo, mas não ao ponto de as instituições bancárias ignorarem, desde já, todo o processo de adoção para receber esta revolução tecnológica.”

Em artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, Nuno Sousa resume desta forma o que considera ser inevitável: a emissão de moedas digitais pelos Bancos Centrais, a curto ou médio-prazo, como forma de responder ao aparecimento das criptomoedas.

Para suportar esta inevitabilidade, o Head of Business Development Financial Services da Claranet Portugal avança com alguns valores associados à utilização das criptomoedas: em novembro de 2021 a capitalização do mercado global das moedas digitais foi cerca de 2.8 triliões de USD¹, com um volume diário de transações na ordem dos 130 mil milhões de USD¹.

A verdade é que existem diversas vantagens associadas às moedas digitais, enquanto instrumentos desmaterializados de investimento e pagamento.

Como fatores positivos associados às criptomoedas atuais, Nuno Sousa destaca as características de imutabilidade e garantia de veracidade, “que tornam uma falsificação praticamente impossível”, sem esquecer a velocidade de emissão – “substancialmente mais rápida do que no sistema financeiro tradicional”.

No entanto, alerta também para alguns riscos, “sobretudo associados à volatilidade dos mecanismos de oferta e procura, à sua desassociação das regras e princípios económicos atuais e reais, bem como ao aumento dos perigos de cibersegurança.”

O surgimento de criptomoedas reguladas, como o Euro Digital, é a resposta preconizada para dar início a um sistema mais ágil e seguro na transmissão de liquidez, com um poder de atuação superior ao que existe atualmente.”

Os principais desafios do Euro Digital

O Banco Central Europeu (BCE) define o Euro Digital como um “veículo de sinergias com a indústria de pagamentos”, posicionando-o como uma solução que evita os riscos das soluções de pagamento não reguladas”. Mas existem alguns desafios importantes associados à sua emissão e utilização:

  • Privacidade – importa acautelar a forma como serão criadas e operacionalizadas as bases de dados que sustentam o funcionamento da nova moeda, principalmente quanto à utilização de soluções do tipo Distributed Ledger Technology (DLT), usadas na tecnologia Blockchain;
  • Segurança – as vulnerabilidades que já afetam as moedas digitais existentes terão de ser eliminadas no Euro Digital, sobretudo ao nível dos ataques com pedidos de levantamentos massivos de fundos e dos chamados ataques de bridge.

Além destes dois desafios, Nuno Sousa destaca aquele que considera ser o verdadeiro desafio do Euro Digital da atualidade: o tempo.
Após lançar um projeto-piloto para identificar o desenho ideal do Euro Digital, o BCE apontou para 2026 o ano previsto para a sua introdução definitiva no mercado.

O que, à primeira vista, poderá ser excessivo quando se espera uma resposta rápida, eficaz e regulada às moedas digitais já em circulação, pode em tese ser escasso para a criação de legislação e para as instituições financeiras adotarem as tecnologias e os processos necessários.

O papel da banca

De forma a ultrapassar esta questão do timing, o especialista da Claranet defende ser crucial que a banca se mobilize desde já para preparar as diferentes vertentes que sustentam a versão digital do Euro.

“É crucial iniciar o processo de criação de infraestruturas de suporte, de aposta em modelos de DevSecOps e serviços de consultoria e estudo de práticas de segurança a utilizar, olhando para algumas tecnologias existentes como apostas seguras – como é o caso das soluções de Blockchain em Cloud” – explica.

Caso se antecipem à inevitabilidade do Euro Digital, preparando as infraestruturas de TI, os processos e atualizando a cultura digital dos seus colaboradores, as instituições financeiras poderão tornar mais ágil a curva de adoção e garantir uma antecipação comercial, “capitalizando todo o percurso de preparação para este novo paradigma de pagamentos.”

in Jornal de Negócios

Financial Services

¹ dados CoinMarketCap

Written by Nuno Sousa - Financial Services Director

Com mais de 15 anos de experiência na área de vendas e de consultoria, Nuno Sousa é responsável pela abordagem estratégica da Claranet Portugal ao setor de serviços financeiros.

Com um forte background tecnológico na indústria de TIC, especializou-se ao longo dos anos nas áreas de Cloud Computing, Public Cloud Migration, IoT, Networking e Security.

Em 2017, juntou-se à Claranet Portugal, como Senior Business Developer, para ajudar as organizações a adotar uma estratégia de TI híbrida, através de serviços de public e private cloud (Azure, AWS, Google Cloud). Durante o seu percurso profissional, passou por distintas empresas tecnológicas, como a NOS SGPS, a Mitrellie, a Optimus, a Telefónica e a KPNQwest.
Nuno Sousa possui várias certificações na área tecnológica, um MBA do New York Institute of Finance, e completou a sua formação na Universidade Católica Portuguesa, na Harvard Law School e no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto.